Depois de um diagnóstico bem feito, o risco clássico é cair em uma POC de laboratório que nunca chega ao campo. O conceito de Pilot Build mira o oposto: um piloto em produção limitada, com usuários reais, dados reais e governança mínima funcionando desde o dia zero.
1) O que diferencia um piloto de laboratório de um Pilot Build
- Ambiente: roda em ambiente produtivo controlado (por exemplo, 1 site ou 1 rota de campo), não só em sandbox.
- Usuários: operação, manutenção, gestor ou time comercial usam de fato o sistema.
- Telemetria e logs: já há trilhas de auditoria, logs básicos e métricas de uso.
- Arquitetura reaproveitável: pensada para crescer para outros sites/clientes com ajustes incrementais.
2) Componentes típicos de um Pilot Build
- Conectores: integração com PLCs (ex.: Logo! 8), sistemas legados, apps móveis, APIs.
- Data pipeline: ingestão, transformação leve, armazenamento analítico e camadas de acesso.
- Dashboards & KPIs: visão executiva e visão técnica, já amarradas ao KPI do Diagnostic Sprint.
- Runbooks: o que fazer quando um alarme dispara, um KPI degrada ou um sistema cai.
- Observabilidade: métricas básicas de fila, latência, disponibilidade e erros.
3) Critérios de sucesso definidos antes do código
Um Pilot Build começa com critérios de sucesso escritos em linguagem de negócio, como:
- Reduzir em X% o tempo para detectar eventos em uma rota crítica.
- Aumentar em Y% a disponibilidade de um ativo ou serviço.
- Diminuir em Z% o retrabalho em uma operação de campo.
Esses critérios são ligados a métricas objetivas e a um horizonte temporal (por exemplo, 8 semanas de observação).
4) Tecnicamente, menos é mais
No Pilot Build, vale mais ter poucas features usadas todo dia do que um sistema completo que ninguém abre. Algumas práticas:
- Começar com 1–2 fluxos bem definidos, não com “plataformas genéricas”.
- Limitar a experimentação de stack e concentrar escolhas em poucos padrões: 1 broker MQTT, 1 banco analítico, 1 camada de visualização.
- Investir desde cedo em experiência do usuário (fluxos claros, poucos cliques, textos simples).
5) Segurança e segregação desde o piloto
Mesmo em escala pequena, o piloto já deve respeitar princípios básicos:
- Ambientes separados (homologação x produção), mesmo que simples.
- Isolamento de clientes/unidades, controle de acesso por perfil.
- Trilhas de auditoria mínimas para ações críticas e dados sensíveis.
6) Como evitar o “buraco negro” pós-Pilot
Um erro comum é declarar o piloto “bem sucedido” e, na sequência, descobrir que nada do que foi feito está pronto para escalar. Para fugir disso:
- Reutilize modelos de dados e padrões de API desde o piloto.
- Escolha componentes que possam subir de “modo piloto” para “modo produção” com ajustes incrementais (hardening, HA, observabilidade).
- Documente decisões técnicas e negociais ao longo do projeto, não apenas no final.
Quando bem conduzido, o Pilot Build entrega não só um caso de sucesso, mas a espinha dorsal da futura solução: arquitetura, padrões de dados e forma de trabalhar entre campo, TI, operação e negócio.