Telemetria em água não é só “ver o nível do reservatório em tempo real”. Para que projetos gerem valor, é preciso traduzir sinais de nível, pressão, corrente e eventos em KPIs úteis para operação, manutenção e gestão.
1) Disponibilidade do serviço
Indicador base: % de tempo em que a rede entrega água com pressão adequada em um determinado período.
- Entrada: pressão medida em pontos representativos da rede.
- Regra: pressão acima de um limite mínimo configurável.
- Saída: gráfico e percentual diário/semanal/mensal.
2) Runtime e ciclos de bomba
Bombas são o coração de muitos sistemas de água. Dois KPIs simples ajudam muito:
- Horas de operação/dia por bomba.
- Partidas por hora/dia, para evitar short cycling.
Esses dados vêm de estados digitais e contadores derivados em PLC/gateway com histórico em banco.
3) Nível de reservatórios
Além da visualização em tempo real, indicadores clássicos incluem:
- Tempo em faixas críticas (baixo, alto, alto-alto).
- Nível mínimo e máximo por período.
- Eventos de risco (nível baixo prolongado, transbordo).
4) Alarmes e resposta operacional
Telemetria útil também mede a reação aos problemas:
- Quantidade de alarmes críticos por período.
- Tempo até reconhecimento (ack) e tempo até resolução.
- Alarmes recorrentes por ativo (candidatos a ação estrutural).
5) Consumo específico (quando há medição de energia/vazão)
Em sistemas maiores, medir kWh/m³ bombeado ajuda a identificar desperdícios e oportunidades de otimização.
6) Como instrumentar para esses KPIs
Do ponto de vista de arquitetura:
- PLC/gateway consolida estados, contadores e agregações por janela de tempo.
- MQTT ou APIs levam os dados para um banco analítico com retenção definida.
- Dashboards oferecem visão executiva (KPIs) e técnica (tendências e eventos).
Começar com esse conjunto enxuto de KPIs já é suficiente para sair de uma operação “no escuro” para uma rotina visível e ajustável, em que decisões são tomadas com base em dados, e não só em urgências do dia a dia.